quarta-feira, maio 24, 2006

Alô!

Blogi III-será desta?

Ora bem, ficou prometida a descrição do louco fim de semana do dia da rainha.

Tudo começou 6ª, dia 28, na noite da rainha. Quando o dia da rainha calha a um domingo, eles festejam ao sábado para poderem "recuperar" no domingo. Haya é a cidade para estar nessa noite. Não faço ideia quantas pessoas lá estavam, mas eram de certeza mais de um milhão. Eram avenidas e avenidas e ruas e ruas cheias de pessoas, barraquinhas com cerveja cara e batatas fritas, 1001 palcos com música de vários tipos diferentes. Ouvi uns malucos chamados “vive la fête”, música electrónica com vocalista aos guinchos, no meio de milhares de pessoas ensanduichadas (bela palavra, hein?), e no entretanto iamos recebendo brindes próprios do dia, obviamente todos laranjas: coroas iguais às da rainha (sem tirar nem pôr!); pedaços de tecido laranja que serviam desde minisaia prás moçoilas até barretes “yo” pro pessoal mais amadora style; mãozinhas de plástico que aplaudiam qdo as abanávamos, que eu rapidamente despachei pra uma pessoa que me perguntou onde é q eu tinha arranjado aquilo (já sabiam que odeio tudo o que faça barulho desnecessariamente?). Bom, confesso que n foi grande coisa porque havia pessoas a mais e a música n me agradou, e era tudo simplesmente grande demais. Voltámos n muito tarde mas o comboio estava cheio de pessoas, porque neste país qdo o pessoal se quer movimentar em massa n usa o popó!

Sábado acordei relativamente cedo para ir ao mercado. No dia da rainha pode-se vender o que se quiser na rua, basta estender uma mantinha no chão e já tá, e n se paga impostos nesse dia. E pronto, é a tradição, e td a gente sai mesmo à rua para vender velharias:



O mais normal são as criancinhas de famílias mais abastadas virem pra rua vender os brinquedos que já n gostam, ou que os pais já n querem lá em casa. Como aqui até se vive bem e as casas são pequenas, isto equivale a dizer que metade do país sai à rua para vender a tralha dos filhos. É sem dúvida um belo exercício de catarse para os putos, pq feito com esta idade: n deve ser muito fácil, com 3 ou 4 anos, ir prá rua vender os brinquedos que estão lá pelo quarto! Ficam desde cedo com a certeza de que nada dura para sempre, e n se apegam tanto às coisas… deve ter as suas vantagens, mas alguns putos n pareciam muito felizes. Outros até estavam tds animados a regatear com outros "colegas de profissão".

No entanto havia muito mais que isto. As pessoas fizeram uma revista pela casa e tudo o que estivesse encostado a um canto há um certo tempo, ou tivesse mais de 10 anos, pimba, ia pra vender. Podia-se regatear tudo, e o preço passava de ridículo a dado, pq ninguém queria ganhar dinheiro (a n ser uns indianos e uns turcos q estavam lá disfarçados de vendedores ocasionais, mas que devem andar sp de feira em feira), o pessoal queria era ver-se livre das coisas. Alguns nem sabiam qto queriam pelas coisas, e à pergunta “qto é q isto custa?” respondiam com “olha, dá-me o que achares que isso vale…”.

Só para terem uma ideia, um dos romenos que andava comigo a passear por ali descontrolou-se e comprou:

Uma aparelhagem com uns 25 anos mas a funcionar, daquelas bem grandes, com gira-discos incorporado (era a única parte pifada), com as duas colunas gigantes, por… 2 euros

Um gira discos da sony para substituir o supracitado (epá, escrevo muita bem;) por… 1 euro

Três ou quatro vinis, em bom estado (dentro do possível, claro) de músicas famosas e bailados para testar os gira discos por… 2 euros

Um caixote cheio de material informático, cabos, placas, td e mais alg coisa, por… 12 euros (ele só queria comprar 2 ou 3 coisas, mas o senhor convenceu-o a levar a caixa toda! Em vez de levar o que precisava, levou 10 vezes mais… )

Já ouvi falar duma “doença” que anda praí, em que as pessoas perdem algumas faculdades mentais quando estão a comprar, ficam meio hipnotizadas e perdem o discernimento, principalmente em lojas grandes e com muita variedade, e dps só se apercebem de que gastaram um pco + q o q deviam qdo chegam a casa… deve ter sido o que lhe aconteceu, só que neste caso o problema n era bem o dinheiro, mas o espaço em casa e possibilidade de carregar tanta coisa, e obviamente teve de chamar um amigo com carro para carregar a tralha td pra casa.

Havia ainda a variante "vêem, eu sei mandar três bolas ao ar e aguentá-las durante 10 segundos sem cair para o canal, por isso passem pra cá uma moedinha", ou "vêem, eu sei mandar três massas ao ar e aguentá-las durante 10 segundos sem cair para o canal, por isso passem pra cá uma moedinha", ou ainda "vêem, eu sei tocar um instrumento irritante durante 5 segundos sem desafinar e fazer-te fugir e cair no canal, por isso passem pra cá uma moedinha". A versão mais original era "vêem, eu deixo-vos atirar-me um bolo à cara, mas para isso têm de me dar um eurito":

Bom, cm vêm foi uma animação, a cidade estava ao rubro, mas estava um frio nada acolhedor, e dps de andar por ali a passear e a resistir a comprar tralha a 50 cêntimos pq n tenho maneira de a levar para portugal, de ver umas músicas nos 1001 palcos espalhados pela cidade, já era tarde para ir a amesterdão… lá é que sim, parece que foi a grande festa, mas pela descrição de pessoas que foram este ano, foi bem menos animado do que o relato do JN no ano passado, creio que em parte pq o ano passado andava-se de t-shirt, e este ano estavam 5 ou 6 ºC!

À noite fui a uma festinha, mas que n tinha nada a ver com o queen’s day, apenas mais uma festa erasmus.

Na semana que se seguiu chegou o verão. De mínima 5 e máxima 10 que estava (já tinham ocorrido umas micro primaveras, mas nada muito duradouro) passou, em 2 ou 3 dias, para mínima 15 e máxima 25. Assim, pumba, de repente passei de 2 camisolas e um casaco para t-shirt e sandálias. Os holandeses montaram o estáminé no jardim, ou no passeio caso n tenham jardim, trazem os sofás, mesas e tv’s pro meio da rua, barbicus por td o lado, só visto.

Os meus compinchas lá da universidade, o meu orientador e o técnico lá do sítio, aconselhados pelas minhas previsões meteorológicas, interromperam o meu período de intenso trabalho e perguntaram-se se eu não os queria ajudar a mudar os inversores dos painéis solares. Eu, inversores? mal larguei os legos passei logo a brincar com isso!

Quem não entender, salte esta parte ;) os gajos tinham 180 painéis solares, de 70W cada, ligados dois a dois a inversores de 100W. sim, 70+70=140 = energia desperdiçada, n me perguntem, deve ter sido pq aqui nunca está assim tanto sol de qq maneira. Os inversores estavam na parte de trás dos painéis, o que lhes provocava belas oscilações de temperatura diárias, principalmente no verão, entre os 15 ºC à noite e 80 ºC de dia (aquilo funcionava como uma espécie de forno na "caixa" onde está montado o painel…). Conclusão, metade já tinha dado o último ampére sinusoidal (epá, que lindo! Sniff! Q prosa poética!! ) e eles decidiram comprar grandes inversores, 6 ao todo, e agrupar aquilo tudo em série, para subir a tensão, e assim matam 3 coelhos duma cajadada: menos perdas porque agora os painéis podem ir até aos 70W cada, menos perdas pq sobem a tensão e n se perde metade nos fios lá em cima do telhado, e os inversores estão dentro do prédio, muito menos expostos às variações d temperatura.

E pronto, mãos à obra! São só uns quantos painéis, nada de mais!Foi muito fixolas, apesar de cansativo. Estive 2 dias inteiros em posições pouco confortáveis, a apertar parafusos, desapertar os inversores:
, retirar cabos, fazer as ligações dos cabos novos, esticar cabos de mais de 100 metros por cima do telhado (e olhem que 100 metros de cabo pesam bem!!)... foi bastante interessante porque aprendi muito, pude mexer mesmo nas coisas e ver cm funcionam, ajudar a ligar aquilo tudo, mas fiquei cansadito. Senti-me um verdadeiro técnico do painel, e é uma sensação porreira depois de 5 anos a estudar teoria ;) oh pra mim a pousar prá foto:

O momento mais hilariante foi quando estávamos os 3 em cima do telhado, a trabalhar na boa, e chega um homem com cara de poucos amigos, começa a falar em tom bastante áspero. “ah e tal, eu sou da segurança da universidade, e portantos, vi-os a trabalhar aqui enquanto estava a fazer a ronda ali no prédio em frente, e tenho o dever de zelar pela vossa integridade física, e fazer cumprir as regras e quê, portanto n podem estar aqui em cima assim a trabalhar sem equipamento de segurança”. N percebi nada, obviamente, mas calculei logo o q é que se passava e depois o meu orientador confirmou as minhas suspeitas. “Hum… equipamento de segurança? Isto n me cheira nada bem… “ pensei eu. E pronto, o resultado está à vista:

Parecia que iamos fazer bungee jumping... Foi engraçado vestir aquilo e tal, fartámo-nos de gozar uns com os outros, mas passado 5 minutos a trabalhar com um cabo de metal preso às costas e preso a outro cabo de metal que está ao longo do prédio, já estava a rogar pragas aos seguranças. Aquilo n dava jeito nenhum, estava sempre a ficar preso em td o lado, e restringia bastante os movimentos. E ainda por cima as probabilidades de cair por tropeçar na porcaria do fio eram bem maiores do que antes. Bom, eu até compreendi a coisa, por alguma razão portugal está sempre aquelas posições muito boas nos estudos sobre acidentes de trabalho, e tentei-me convencer: ” Vês pedro, assim é que tem de ser”. Mas lá que é chato andar com aquilo, lá isso é. Os outros é que n se conformaram tão facilmente, mas pronto, n tinhamos hipótese.

Sexta feira dia 5 foi feriado, dia da liberation das forças alemãs, no fim da 2ª guerra. Este dia só é feriado de 5 em 5 anos, por isso tive sorte ;) Aproveitei o tempo fantástico que reinava pelas holandas e fui visitar o Far ao norte, Groningen (gró prós amigos). A viagem n foi das melhores pq o comboio estava cheio e certos períodos da viagem (de 3 horas no total…) tive de ir de pé, mas pronto. Pelo caminho confirmei a verdura e a lisura (n arranjei palavra melhor) deste país. N há uma porcaria dum monte, é sempre td a direito. Mas reparei numa coisa interessante, há poucas áreas em “estado natural”, ou seja, parece que está tudo arranjado e planeado pelo homem, inclusivé as zonas mais densas de floresta, que nunca se estendem por mais de 500 metros: estão sempre separadas por 50 ou 60 metros onde n há árvores. Deve ajudar quando aquilo pega fogo!

Quando cheguei lá encontrei o far na estação e depois de uma voltinha pla cidade dedicámo-nos à principal actividade desse fim de semana: ócio no parque. Fomos nós e mais metade da cidade ;)

Pois é, à falta de praias estes holandeses respondem com relva em abundância e muitos parques com espaço para estender o corpito ao sol. O festival de barbicus repetiu-se, crianças a brincar na areia, muitas pessoas em traje de praia, muito fixolas.

Quando chegámos a casa do Far conheci as raparigas q vivem com ele. Tem lá uma gata… mm gira, morena, mto simpática, olhos claros… ele vive nitidamente numa casa com raparigas. há com cada pormenor… mas apesar da vossa clara curiosidade, vou-me abster de os contar por respeito ao far ;)

Ainda passámos pelo centro para beber um cervejinha nas esplanadas que se multiplicam em td o lado, e que estavam mesmo apinhadas, n foi fácil arranjar mesa, nem sequer na esplanada da igreja! Já vos falei dos novos aproveitamentos que eles deram a estes espaços:

Depois de jantar a mais famosa receita do far, já muito bem apurada após anos de intensos melhoramentos, e que posso intitular de “maravilha de bolonhesa com bróculos e massa chinesa que não precisa de ser cozida à parte”: e depois de ouvir o far treinar o tema do laginha pró exame, fomos córtir a night de gró, famosa na holanda por só acabar bem tarde. Quer dizer, é +- cm a noite em Lisboa, mas n se esqueçam, isto é a holanda e normalmente os bares fecham às 2 e as discos às 4, e e, já tás com sorte.

Os amigos do far comquem saímos são grandes malucos, italianos de gema, mas que andam a fazer doutouramentos em física. E esta hein? Andámos de bar em bar até passarmos pelos turcos, que têm pizzas quentinhas, acabadinhas de fazer, ali, na hora, e aquilo sabe mm bem qd são 4 da manhã e estamos esganados de fome. Já se mudavam uns quantos lá pro bairro alto, aqui já estão suficientes, e eu já começo a ficar farto dos bolos (e nem vou lá quase vez nenhuma). E nem eram caras as pizzas. Deu para perceber que gró tem realmente uma night diferente do resto da holanda, muito jovens “inconcientesss”, muita gente na rua até altas horas, muitos bares com os mais variados ambientes.

Pormenores interessantes em gró: se queres chamar o joão, tocas 1 vez, se é prá ana, tocas duas, se é prá antonieta, tocas 3... espero que tenham tido o bom senso de pôr a pessoa mais concorrida em primeiro lugar :)


No dia seguinte, depois do far me torturar mais uma vez com os seus treinos pró exame, fomos à cidade para um sessão de turismo, de modo a desta vez ser eu a torturá-lo. Lá o convenci a subir à torre da igreja, onde ele nunca tinha ido (o far é anti turismo :). Digam lá que n é obra faze-lo subir isto?

E ainda o convenci a subir até ao último patamar, por escadinhas em caracol com degraus minúsculos e tectos baixos a roçar na cabeça, mesmo tendo de vencer argumentos esmagadores, tais como “então mas ó PP, se daqui já vemos a cidade toda, o que é que achas que se vê mais de lá de cima? N vale a pena subir mais né?!”. Esta fotografia ficou interessante, completamente disforme:

Confesso q pronto, realmente n se vê muito mais, mas n se pagam 3 euros pra ficar a meio da torre :) Aqui ficam algumas vistas lá de cima:Pelo meio passámos por umas salas com sinos, um carrilhão, e numa das salas dava pra fazer tocar uns sinos. Aquilo n devia ser verdadeiro, pareciam megafones, ainda assim demos música ao pessoal todo que estava a visitar a torre. O vídeo está hilariante, mas ainda n me dei ao trabalho de perceber como é q se metem videos aqui. Chapéu!

Depois demos umas voltas plo mercado, comprei uns óculos de sol (tolo, ingénuo, tóni, fui eu… óculos de sol…), experimentámos uns chapéus,

depois cromprámos umas comidas bem jeitosas no surinamês q há mesmo em frente a casa do far, e depois dedicámo-nos de novo ao relax no parque, desta vez munidos de comes e bebes, e maniqua fotográfica, Ócio ao sol, relva… que maravilha… momentos efémeros neste país!

Bom, nessa noite ainda vimos os Blondie no centro da cidade… ou então não eram os Blondie… mas pelo menos eram parecidos, e cantaram a maria. Agora percebo pq é q tds as bandas, por mais rascas q sejam, qdo vão a portugal dizem que o público é o melhor do mundo, mesmo que ninguém lhes ligue nenhuma. Estes holandeses nem com a maria se mexeram. Até eu me abanava mais que eles, e obviamente tenho a maria no top 3 das músicas favoritas, desde os 5 anos de idade. Isto foi o suficiente para irmos embora e investigar que amigos do far andavam a tocar pelos bares da cidade. Vimos rock dos balcãs, bem fixe, e depois ainda tivémos tempo de ir a uma cave muito podre e muito pequena e cheia de gente, transformada em local de jam sessions. A música era fixe, mas cm n apanhámos nenhum dos 7 lugares sentados, voltámos cedo.

No dia seguinte n houve tempo para mais do que uma pequena tortura, parte 3, mas depois ainda toquei umas coisas, pra ensinar o far como é que se mexe no piano a sério. Eu disse-lhe: “toca aí esta linha de baixo, e eu mostro-te como é que se produz um solo com S grande”. Ou então foi ao contrário.

Seguimos para a estação, onde apanhei mais uma estucha d 3 horas de volta a delft, e ainda tive tempo para ir lavar roupa. Roupa lavada é um bem essencial que começava a escassear :(

Mais uma semana, mais uma trabalheira dos diabos. Aquilo nunca mais acaba, tenho trabalhado bués, de sol a sol, quer dizer, das 10 às 20, o que me deixa a semana um bocado esvaziada de outros acontecimentos sociais. Tirando, é claro, uma festinha aqui e ali, um bar de jazz em roterdão, onde fui com o grego esgroviado (esgroviado=gajo do sul da europa) lá do departamento, um gajo mto porreiro, e a ida semanal ao bar dos erasmus.

Na sexta feira houve churrasco, na casa dos portugas que vivem na mansão com jardinzinho bonito, por acasião do 23º aniversário do antóino. Foi uma noite jeitosa, eramos muitos os portuguese speaking, houve lugar para mais uns atrofios com o sotaque português/brasileiro, muitos acidentes hilariantes que iam resultando numa quase destruição da casa por parte do amigo surinamês (incrível, de fazer cair móveis da sala até entornar vinho no pessoal, houve de tudo), no meio de muito combibio. Sim, antes dos ‘b’ vem um ’m’!

No sábado 13 era o dia nacional dos moinhos. Ora que melhor dia para ir visitar kinderdijk, o sítio prefencial para ver moinhos na holanda? 19 moinhos ao longo de uma canal, de vários tipos e feitios.
O tempo já estava a mudar, e fiz um esforço para me levantar da cama e aproveitar o sol enquanto durava. Uma vez que decidi à última da hora e às 13h de sábado tá td a dormir (estes erasmus men!:) lá fui sozinho. Saí de casa para apanhar o comboio e dps um autocarro em rotterdam lombardijen que me levaria aos moinhos.

Na paragem de bus comecei a ouvir falar português, e, uma vez que o mundo é mesmo pequeno, além de serem duas raparigas portuguesas tb a fazer erasmus aqui na holanda, ainda são do técnico. Só n são do meu curso, mas aí sim, seria coincidência demais: encontrar 25% da população feminina do meu curso, só por milagre.

E tb iam visitar os moinhos, tinham o mesmo guia que eu ;) Lá fomos, eu contente por ter companhia e elas contentes por n terem de se aturar uma à outra (palavras delas! eheh é compreensível que qdo se passa mto tempo com alguém saiba bem ter outra companhia pra chatear :).

Os moinhos em si não eram assim tão fantásticos, e o tempo já n estava assim tão bonito...
Quando lá chegámos o vento estava bastante paradinho, e além disso estava à espera de qq comemoração por ser dia nacional dos moinhos. N houve, que eu me tivesse apercebido, nenhuma alteração ao normal funcionamento daquilo, e o único moinho que parecia aberto para visitas era a pagantes… como eu já tinha visto um moinho por dentro e elas n faziam questão de entrar, demos apenas uma voltinha no barco que fazia o tour ao sítio.

Foi interessante porque dos milhares de moinhos que existiam na holanda, ainda sobram uns 1000 que o estado tem como pratrimónio, e há bastante interesse em mantê-los em bom estado de conservação. Há até um curso de 3 anos para windmills operators. A solução que me parece terem encontrado foi convencer as pessoas a viver nos moinhos! Conclusão, havia alguns que pareciam uma casa em vilamoura: antena parabólica, mota de água e jipe à porta, um luxo.

A meio da tarde começou a levantar uma brisa, e chegámos ao pé de um moinho que estava a dar-lhe bué. Foi particularmente assustador, porque as pás passam a uns palmos do chão, e qdo se está ao lado daquilo passam a uns 2 metros da nossa cabeça. é realmente uma bela obra de engenharia, porque aquilo roda com uma velocidade bastante razoável, e sente-se mesmo que há muita energia no movimento, ou seja, se eu me atirasse contra aquilo acho q n travava o nem um bocadinho. No entanto todo o mecanismo é extremamente silencioso, e ouve-se apenas o vento a passar nas pás. Foi a parte mais interessante do passeio, pq deu para “sentir” o moinho a funcionar.

Ainda deu tempo para comer a tradicional sandoca e ver uns patinhos a nadar atrás da mamã ;) Ainda estivemos uma meia hora à espera do bus, e depois despedi-me das minhas simpáticas amigas, com a promessa de visitar a cidade onde elas estão, e vice-versa.

Nesse domingo fui dar umas voltas de bicla. Ao princípio ainda me tentei orientar e decorar os sitios por onde estava a passar, mas dps percebi que havia placas por td o lado, e olha, deixei-me ir. Neste país há tantos caminhos para bicicletas como estradas pra carros, se não mais, e quando dei por mim estava na “verdadeira holanda rural”. Vaquinhas, cavalos, muitas pessoas a andar a cavalo, ovelhas, aldeias minúsculas, obviamente canais por todo o lado, montes e montes de clubes desportivos com campos de tudo e mais alg coisa, enfim, foi um belo passeio.
As aldeias pequenas são giras, porque diferentes das portuguesas, primeiro por serem obviamente planas, e segundo porque têm as casinhas típicas holandesas, todas muito arranjadinhas, e é tudo verde, verde, verde. Mas têm um único café, cm em portugal, embora com um aspecto bastante diferente:

No total andei uns 30 kms até me decidir voltar finalmente para Delft.

A semana foi ainda pior que a anterior. Trabalho, trabalho, trabalho, falta tanta coisa e tou sempre a descobrir ainda mais coisas que devia fazer. Mas estou muito aplicadinho, e por isso até vai andando prá frente.
Mas o pior foi que voltou o inverno. Chuva pra td a gente, 10 graus outra vez, vento de fazer desequilibrar qq um da bicla... insuportável. Agora percebo pq é q no primeiro dia de calor eles saíram logo tds à rua... Eles sabem bem que o bom tempo nunca dura muito por estes lados!

Fim de semana… e festa!! 6ª feira fui a uma festa com o tema golfe (quando as festas têm um tema são obviamente festas dutch, que erasmus iria fazer uma festa com tema, ainda por cima golfe?!? Quase n temos roupa pra vestir qto mais adereços pra festas ;). Não faltaram os tacos de golfe, as boinas pimba e os sapatinhos engraxados e janotas. Senti-me bastante minorca porque até as holandesas devem ter comido mais estrelitas que eu quando eram miúdas, e então cresceram mais, e pronto, mais de metade das pessoas eram maiores que eu. Juntando isso ao calor quase insuportável nas salas onde havia a música, lá passei a noite toda na rua a confraternizar com “o mundo” que não cabia na festa, gregos, brasucas, chineses… o misturada do costume.

Ao voltar para casa tivemos direito ao episódio da noite, um “sosse” de seu nome salomão (!), da Eritreia (!!), que caíu literalmente do céu, meteu conversa, mostrou-nos os seus dotes de português (os normais insultos, e “comé, tasse fix?!”, ensinados por um portuga, provavelmente de chelas, com quem ele tinha morado), nos ofereceu cerveja, e ainda nos chagou até casa na sua motinha irritante. Prémio atribuído por unanimidade para “personagem da noite”.

E pronto, o fim de semana foi passado por Delft, fui finalmente dar uso ao meu museum card para visitar o museu técnico, bastante simpático, com muitas experiências para putos mas que eu gostei bastante ;)

umas máquinas de calcular bem maiores que um microondas (e nem raizes quadradas faziam, tss), completamente mecânicas, algumas da mercedes, ligadas à tomada! e uns motores mais velhos que a minha trisa-tetra avó.

E pronto! Finalmente! Cheguei ao dia actual! Hoje, o que é que eu fiz hoje… olha, qué que têm a ver com isso?!? Cuscos!

Adeusitos! ;)


PS: a gata morena que eu estava a falar, que mora com o far, é esta ;)

quinta-feira, maio 11, 2006

Yo people!

O blog atrasado: Parte II

Façam um favor a vocês mesmos e, se querem mesmo ler isto tudo (e as probabilidades de isso acontecer já são baixas)… não leiam tudo de uma vez :)

Depois da Marta se ir embora, dia 15, sábado, chegou o farinha. Fui buscá-lo à estação dos comboios e depois de jantarmos fomos beber umas cervejinhas belgas ao centro. Estava tudo um bocado vazio e n houve festas erasmus (pelo menos que eu soubesse:).

Domingo estava um tempinho fantástico quando acordámos, sol e uns 15 ºC e pensámos: “bora fazer qq coisa típica do domingo de páscoa... vamos à praia!” :) E assim fizémos. Apanhámos o eléctrico que vai da porta do meu bairro até à praia, directo, sem trocas, sem confusões, em 30 min +-. E vcs estão a pensar, então mas há praia naquele país? Se há, pra que é que eles vêm tds pro algarve ocupar espaço? Sim, há praia, e até é grande, tem muita areia, muita água, mas... pronto, tá frio, o mar tá frio e a água é castanha, e tá vento... Mas nada disto impede estes malucos de irem tds pra lá sempre que podem! Apesar da temperatura nada convidativa a maior parte do ano, parece que mal está um tempinho melhor correm tds pra lá. O farinha n concorda lá muito com a atitude deles ;)
O problema da holanda é que numa hora está sol, calor e um céu limpinho, e na hora seguinte está a ameaçar chover com um céu cinzento carregado. Conclusão, quando saímos de delft já estavam a aparecer umas nuvens, quando chegámos à praia já n havia sol pra ng e estava um frio tramado.

A praia fica ao pé de Haya (Den Hagg), a capital administrativa da holanda, e está bastante bem “pensada”. O areal tem uma bela largura, desde a água até às primeiras construções.
E depois tem 1001 bares todos finos, restaurantes catitas, lojas (n barraquinhas, lojas mm), centros comerciais, oceanários em ponto pequeno, eu sei lá mais o quê, ao longo do “calçadão”, dum lado e do outro, até têm pra lá um palacete.
E têm um pontão muito cromo, que entra uns 200 metros mar adentro, e que recentemente foi coberto a vidro. Vê-se, em pano de fundo, na foto do far. Pena que aquilo enferrujou tudo e está com mau aspecto. Têm uma torre onde se pode fazer bungy jumping e onde tirámos esta bela foto com o far em stevie style :) O far ainda procurou umas babes, mas tava muito difícil ;)
Depois comemos um peixinho frito marabilhoso, e fomos dar umas voltas pelo centro de haya. Estava um bocado de frio, mas lá vimos uns monumentos (tava quase td fechado, mas pronto), e vagueámos por ali. A cidade é uma mistura do típico holandês com arquitectura do mais moderno que há. No entanto consegue ainda ser simpática, ao seu estilo.estes edificios, outrora religiosos, estavam transformados em qq coisa administrativa, chama-se binenof ou qq coisa do género, e estava cheio de turistas.
hum, o que será q há dentro disto??

Na segunda era feriado, e tentámos ir passear de binacleta, mas estava frio demais e um ventinho de cortar à faca, que torna passear um sacrifício... como não era esse o objectivo e até estava sol, partimos para o plano B: tarte de maçã na praça das esplanadas, no centro de Delft :) Quando chegámos, pelas 12h, n estava quase ninguém; passado umas duas horas aquilo parecia a costa da caparica em agosto. Ficámos a apanhar um solinho, e fomos para casa almoçar. Uma vez que o sol insistia em ficar, montámos o estaminé no jardim lá de casa e almoçámos, ineditamente, ao ar livre e de t-shirt. belo farnel hein??

Depois o far deu de frosques e lá começou uma semana de trabalho intenso. Nessa 5ª feira fui visitar uma empresa de investigação, Energy research Centre in the Netherlands (ECN). O meu orientador tem lá uma amigo a trabalhar, e que já fez umas coisas parecidas com o que eu tenho de fazer e perguntou-me se eu achava que seria útil ir ter uma reuniãozinha informal com ele. Ora pois tá claro que é útil!

Era pra ser uma reunião só com o amigo mas depois ele propôs que o meu orientador fizesse uma apresentação do laboratório onde estou a trabalhar também para uns gajos lá da ECN. Eu preparei lá umas perguntinhas, li o site da empresa duma ponta à outra sobre os assuntos que me interessavam, e pronto, chegou o dia. Confesso que estava um bocado nervoso pois não sabia bem qual o nível de informalidade da reunião, nem quais os moldes da mesma. Fui de carro com o meu orientador, foi fixe para o conhecer um bocado melhor e conversar sobre outras coisas além do trabalho. A viagem ainda demorou quase duas horas, porque o raio do centro de investigação é na conchichina, ao pé dumas praias no centro-norte.

Uns apartes: ao contrário do que eu pensava (pq há muitos comboios e autocarros, são bons e chegam a horas, e há muitas bicicletas) na holanda há bué problemas de trânsito, principalmente na zona do sul, no triângulo Haya, Roterdão e Amesterdão. As auto-estradas estão cheias o dia todo e há filas de trânsito td o santo dia. Não apanhámos filas para lá, mas porque eram 11 da manhã, e mesmo assim a estrada estava cheinha.
O pessoal é bué calminho ao volante... Vêm-se tb algs malucos, mas bastante menos do que estou habituado, cumprem-se as velocidades, há radares por todo o lado, e o pessoal pode fazer as nabiçes que quiser que ng apita, toda a gente deixa passar aquelas pessoas que só se lembram (ou n conhecem a estrada e só se apercebem) que têm de sair da autoestrada 50 metros antes da saída acabar...

Enfim, chegámos à empresa e deparámos com umas dunas cercadas por alta rede com arame farpado. Para entrar tivémos de preencher aquelas folhinhas de visitante, mostrar o BI, e ao passar o portão para a parte de dentro da rede, ainda quiseram ver a mala do carro... isto tudo porque aquilo é tipo parque empresarial, e lá dentro também está um dos primeiros reactores nucleares da holanda. Só que, tal como em portugal, houve umas manifs anti-nuclear quando estavam a começar a construir a central e pronto, desistiram. Conclusão, o reactor nuclear só serve para investigação e para ganharem $ produzem uns isótopos dumas substâncias maradas que se utilizam nos hospitais para fazer uns exames sofisticados. Bom, com isto tudo e com a panca do terrorismo que por cá também vai proliferando, são um bocado restritivos na entrada de pessoas. Felizmente n me confundiram com um marroquino e lá entrámos. Conheci o amigo do orientador, e antes da reunião ofereceu-nos almoço. Um almoço de luxo para os padrões holandeses: sandes de salmão fumado (aquilo parece crú) e sandes duma espécie desconhecida de carne, derivada provavelmente do presunto, e a acompanhar um garrafa de um maravilhoso... leite! Já tinha pensado em experimentar aqueles peixes crús no mercado mas ainda n tinha tido coragem, e naquele dia olha, foi à força! O salmão fumado... sabe a fumo ;) ou seja, até se come. Eu disse-lhes que em portugal em princípio só almoçamos sandes se estivermos com pressa, ao que eles responderam que isso só prova a teoria de que os holandeses andam sempre cheios de pressa :)

Bom, e agora preparem-se porque vem aí uma grande descrição de tudo e mais alg coisa sobre a empresa... é altura de fugirem! ;)

Depois do almoço o amigo do meu orientador lá fez uma apresentação geral sobre a empresa, os projectos de investigação que estão a decorrer, e foi bué interessante. Não há que eu saiba uma empresa em port que só faça investigação sobre energia, e muito menos nesta escala. É verdade que o principal cliente deles é o estado, e é daí que vêm os rios de dinheiro para a empresa; ainda assim reflecte uma preocupação constante do estado em matérias de energia e de eficiência energética, porque estão sempre a encomendar estudos sobre as melhores medidas tomar e que caminhos seguir. O objectivo da empresa é que se consiga ter uma sociedade nos mesmos moldes que a actual, sem prescindir do conforto, e que só utilize energias renováveis. Para isso estudam painéis solares para produzir electricidade (solares fotovoltaicos), para aquecer água (solar térmico), de 1001 tipos inovadores,
vários geradores eólicos, vários tipos de isolamento e fachadas de prédios que sejam mais eficientes, ou seja, que permitam reduzir gastos com aquecimento\arrefecimento, e os respectivos sistemas de controlo electrónico, para que o utilizador n tenha de se envolver no processo. Ou seja, a pessoa que está a utilizar os sistemas n nota a diferença para um sistema normal.

Têm tb alto parque eólico, com uns geradores “state-of-the-art”, dos maiores que existem, pra fazer os testes todos necessários, e um túnel de vento pra estudar lá as pás dos geradores. Nunca pensei que o raio do gerador eólico desse tanto trabalho! Não estão bem a ver, há pelo menos uns 20 programas de computador que os gajos desenvolveram pra estudar os diferentes aspectos dos geradores eólicos… Por exemplo, isto serve pra ver se as pás estão direitinhas... às vezes os métodos simples são os mais eficazes!

esta foto é só pra exemplificar que cada parte daquilo (e ainda faltam ali umas 30 setas :) precisa de 1001 estudos pra funcionar da melhor maneira, dar muita energia, de boa qualidade, ser levezinho, fácil de construir, não fazer barulho, e não matar passarinhos! até estudos fazem sobre o número de impactos de aves nas pás dos geradores! Têm um sistema td sofisticado que grava um filme sempre que se ouve um impacto nas pás… onde isto já vai!

Enquanto não chegamos ao ponto de só utilizar renováveis, também vão fazendo estudos sobre pequenas unidades de produção de electridade para meter na cave lá de casa, e que tb produzem calor que é aproveitado localmente, centrais de biomassa e mais uma data de coisas. Sim, a biomassa até se pode considerar renovável, mas qdo possível evita-se pq tb polui...

A empresa tenta fazer a ponte entre a investigação universitária, muitas vezes um bocado afastada da prática, e a aplicação das coisas. Pegam em doutouramentos dos cromos universitários, tiram as conclusões importantes, e concretizam os projectos. Foi isso que me impressionou: tinham imensos protótipos de projectos inovadores em montes de áreas diferentes, da construção civil à electrónica, tudo e mais alg coisa.

Para os meus amigos electrotécnicos fica o site, www.ecn.nl, vale a pena dar uma vista de olhos.

Tinham quatro casas em tamanho real, tipicamente holandesas, todas com uma combinação de diferentes técnicas de construção, fachadas, paredes, janelas, isolamentos, e painéis solares, fotovoltaicos e térmicos, com geradores pequenos e, literalmente, dezenas de pequenas alterações em relação a uma casa normal, de modo a poupar energia.Por ex, aquecem a água fria com a água quente que deitamos plo ralo abaixo (sem as misturar, obviamente), fazem o mesmo com o ar (ou seja, no inverno pode haver renovação do ar sem se perder o calor todo), e outros projectos mais ao nível da gestão electrónica do sistema todo. Enfim, era um mundo de experiências e muitas ideias inovadoras (algumas das quais já me tinham passado pela cabeça, foi interessante vê-las aplicadas na prática) para chegar ao tal objectivo de n gastar mais gás nem pitroil. Muito bom! É assim como uma concretização da empresa de sonho para eu trabalhar :) O meu orientador disse que esta era uma muito boa empresa para se trabalhar, mas ficava era num sítio um bocado chato, longe da “civilização”.

Bom, depois houve mais uma apresentação sobre o sistema deles para prever a energia renovável (exactamente o que eu tenho de fazer), foi interessante para eu confirmar muitas coisas que já tinha lido e que é sempre diferente perguntar directamente a alguém. Correu muito bem porque apercebi-me que tudo o que eu já li sobre o assunto me deu alta bagagem, ao ponto de conseguir ter uma conversa de igual para igual com alguém que já trabalhou no assunto. Já tinha ouvido falar sobre quase todos os aspectos da apresentação dele, e consegui fazer perguntas complexas, ou seja, senti que já percebia daquilo. As atitudes quer do meu orientador quer do amigo dele foram sempre muito porreiras, como se eu fosse um engenheiro já formado que estivesse ali a ter uma reunião, não senti qualquer diferença no modo como falavam comigo, como algumas vezes senti quando falava com certos profs do técnico, foi fixolas. Para o meu trabalho também foi bastante bom, porque finalmente decidi umas coisas que ainda estavam pendentes com a ajuda de alguns comentários lá do gajo da empresa, e foi bom o meu orientador ter estado presente porque ouviu tudo.

A apresentação foi decorrendo bem, entre perguntas e respostas, o tempo foi passando e lá chegaram os outros bacanos da empresa (aí eu percebi que a reunião era mesmo informal, porque eles eram engenheiros mas mais pro lado técnico, e que estavam era interessados na parte prática). O meu orientador lá fez a apresentação dele, em holandês, pq eu já sabia aquilo tudo e as outras pessoas eram todas holandêsas e depois conversámos mais um bocado para tirar as conclusões finais. De seguida levou-nos a dar uma voltinha pelas várias casas, laboratórios e afins, que já descrevi mais ou menos. Entrámos mesmo dentro das tais casas que eram um verdadeiro laboratório, mil e uma experiências, e até tinham aparelhometros para simular o aquecimento provocado pela respiração das pessoas e pelos aparelhos eléctricos que utilizamos, e outros para abrir as torneiras e simular duches, lavagens de mãos ou loiça… Foi muito muito interessante, só visto! Uma das casas até estava mobilada com aquela mobilia rasca da moviflor, e respectivos adereços para parecer real… lol

Então, só visto e tu é só blá blá blá? N há fotos? Há, mas as que eu tirei do site ;) essas lá atrás tb são do site... é que n era permitido tirar fotos lá dentro, e nem sequer devo poder meter estas do site, mas pronto, é para vosso bem, para alargarem os horizontes ;) E para prevenir processos contra a minha pessoa, desde já refiro que as fotos são gentilmente cedidas pela ECN :) O gajo que trabalhava lá propôs-me que eu subisse às dunas pela parte de fora, pq aí n me podiam proibir de tirar fotos... holandês rebelde! ;)
esta era uma "casa" que rodava sobre si própria para se poder estudar uma fachada enquanto estava a ser montada outra diferente, do lado oposto, e para poder estudar diferentes orientações em relação ao sol.

Bom, depois na viagem para Delft apanhámos trânsito, mas nada de especial, pelo caminho ainda vimos umas belas paisagens e umas casas com uns telhados interessantes:

Nessa sexta, dia 21, decorreu provavelmente o maior festa dentro de 4 paredes (bom, eram mais de 4) em que já estive, na faculdade de arquitectura cá do sítio (cm já tinha referido, isto é tudo a mesma univ, mas cada faculdade tem o seu prédio, e bem grande).
De registar o típico descuido português: com esta história da visita à empresa n liguei nenhuma a quem me disse pra comprar o bilhete pq ia esgotar, e obviamente… esgotou. Bom, combinei co chinoca, o Shrek, q tb n tinha bilhete, para irmos lá prá porta da festa ver se subornávamos os porteiros, ou se nos deixavam entrar por já ser tarde, ou comprar bilhetes a algum traficante, enfim, tb n tinha grande coisa pra fazer e estava farto de trabalhar. Lá fomos, encontrei montes de pessoas conhecidas a entrar na festa, e depois fomos dar uma voltinha ao prédio, assim na esperança de alguma falha na segurança… sim, pq eu sou honesto e até queria comprar bilhete, mas n m deixaram! :) Como já tenho algum historial de borlas assim sem transgredir directamente nenhuma regra… mas n digam a ninguém… Bom, e na verdade nem 30 segundos depois da nossa ronda começar vimos uns indianos a desviar uma grade e a passar “para o lado de dentro”, para um jardim, sem dar muito nas vistas… fomos lá e perguntámos “isso é assim, dá pra entrar na boa e quê?” (isto dito num tom yo indiano, claro) ; “ya, bora, venham!”, e lá fomos. Depois dos olhares reprovadores de alguns holandeses que nos toparam, lá nos infiltrámos na multidão e pronto, em vez de gastar 12 euros no bilhete, gastei em pizzas e jolas (n, n fiquei bêbado, com cervejas a 2 euros e pizzas a 3… façam as contas :). Como vêm até n sou má pessoa, no fundo para eles foi completamente indiferente, gastei o mesmo ;)

A festa foi de arromba, 4 salas com música ao vivo, do trance ao R&B, mais 2 ou 3 sítios com música chillout, na boa umas 3 ou 4 mil pessoas, pizzas e muita gente conhecida (mas obviamente muitas mais que eu nunca tinha visto na vida), enfim, só acabou às 5 da manhã o que obviamente encurtou bastante o dia seguinte, que deu para pouco mais do que ir ao mercado com o evandro, imprimir umas fotos e passear um bocado.

Domingo fui passear pelas redondezas, de bicicleta, e comecei a ver a natureza a despontar. Em Portugal nunca liguei muito a estas coisas, mas a verdade é que aqui há muito mais árvores que dão flores, por todo o lado e de cores bem vivas (qq bairro que se preze tem um canal com uma data de árvores à volta, até no centro da cidade há árvores) e passa-se mais de metade do ano sem uma única folha nas árvores. Além disso como ando de bicicleta, dá para reparar nestas coisas, e como este ano o frio ficou até bem tarde (mesmo para a holanda, em abril esteve mais frio q o normal) a natureza foi-se aguentando, aguentando… e qdo veio um calorzinho, numa semana estava tudo verde! às vezes parece que tou na amazónia ;) Por exemplo, há umas árvores bastante comuns aqui, magnólias, que os meus vizinhos têm no quintal e parecem normalíssimas o ano todo, e depois, assim de repente, durante umas 2 semanas ficam com altas flores. aqui já estavam a perder o encanto, e estava aquela luz holandesa fantástica...Ainda vi um carro igual ao meu, que me esclareceu "o que não fazer com o meu carro" :)E encontrei a primeira montanha na holanda!!! 10 estonteantes metros de pura inclinação!!! é incrível, isto é tão plano, tão plano, que até os montes que há são nitidamente montes de terra artificiais, possivelmente antigos aterros sanitários :)A tarde estava reservada para a páscoa romena, que eles celebram uma semana depois de nós. Bom, o romeno cá de casa avisou-me que iam comer muito, mas muito. E cumpriu-se a promessa; apesar de ter chegado às tantas de uma igreja a que foram, a umas 2 horas de bicicleta, às 11 ele já estava levantado a meter umas sopas ao lume. As pessoas começaram a chegar por volta das 15h, e às 16h estávamos tds à mesa:Apesar de nitidamente os pratos confecionados estarem algo… simples (acredito que as mãezinhas deles fizessem melhor :) foi uma tarde simpática, havia pelo menos uns 15 romenos cá em casa, e aquilo nunca mais acabava. Ainda comemos uns pratos tradicionais, carne picada enrolada em couve flor, cozinhada num mar de cebola, por exemplo, que não estava nada mau. Quando já estava toda a gente cheia… vinha mais comida :) à noitinha fizémos um barbecue no jardim da frente:

Deu para recordar os verões em portugal, apesar de estar um bocado mais frio aqui. O nosso vizinho, holandês mas td simpático, veio-nos oferecer o que tinha lá em casa, e deu-nos prá mão um saco cheio de grelhas, carvão e material inflamável ;) quem disse que os holandeses são antipáticos? Grelhámos as belas febras e mais sei lá o quê, um sem acabar de comida.

A semana de trabalho que se seguiu foi intensa, apenas interrompida pela noite de erasmus, 4ª feira, no bar do costume. Tenho de tirar umas fotos pro pessoal ver. O trabalho decorre com mais rapidez, porque o tempo está a passar bem depressa e não quero correr o risco de ter o trabalho todo feito… mas só na minha cabeça :) por isso estou a ver se me aplico, e faço o trabalho andar depressa, até porque depois já sei que só preparar a apresentação demora uma data de tempo, e depois mete-se o mundial… tenho de ver pelo menos os jogos portugas né?? E os brasucas…. E os holandeses… bem, o melhor é ir trabalhar mais ;)

Deixo-vos assim, com água na boca, porque no próximo post… vou contar-vos o dia da rainha!!! Uau!! Q raio é isso?!?!

Dui! (holandês para “tchauzinho” :)

PS: descobri a prova de que de espanha, nem bons ventos, nem bons casamentos, nem bons morangos! até vêm prá holanda vender estes morangos! n vêm nada aí de estranho? mesmo no meio da etiqueta...