quarta-feira, março 14, 2007

País velho, novo blog

Uma vez que deixei vários milhares de fãs espalhados pelo mundo e ansiosos por mais escritos inteligentes e cultos vindos da minha pessoa :) , decidi reavivar este blog.

As diferenças entre os dois países em que vivi são muitas. Não é nada raro encontrar-me em certas situações cá em Portugal e pensar para comigo se tal aconteceria na Holanda. E provavelmente até deve acontecer, com maior ou menor frequência. Mas não deixa de me fazer uma certa comichão no cérebro, e penso que este é um belo espaço partilhar essas situações.

Não quero imitar o programa "nós por cá"; quero, isso sim, contrariar o pessimismo que se instalou em Portugal. Não temos de ser um país atrasado! Basta fazermos, cada um, a nossa parte, com esperança que mais tarde ou mais cedo, até os mais resistentes se convençam a mudar! Por isso espero dar sempre um tom de positivo ao que aqui escrever.

domingo, setembro 17, 2006

Olá fãs de todo o mundo! ;) Vamos a mais um post interminável? ;)

Desde o dia da apresentação/discussão que não arranjei grande oportunidade de escrever no blog (lá na Holanda), e nos primeiros dias em Portugal andei muito ocupado, depois foi-se arrastando por preguicite aguda e falta de vontade de sentir nostalgia provocada por recordar os últimos tempos na Holanda...

Portanto vamos começar pelo último mês...

Logo quando estava com mais trabalho, a minha guerreira começou a dar problemas. Quer dizer, primeiro fui eu que arranjei o problema :) o cadeado estava perro há já muito tempo, com a chuva e tal, mas eu lá ia forçando com jeitinho… no entanto, um belo dia, ao voltar da univ. fui ao supermercado, tranquei a bicicleta, mas já não a consegui destrancar… e pronto, lá fiquei no meio de Delft, prestes a anoitecer, a uns 20 min a pé de casa, com uns congelados na mão, e uma chave partida e enfiada no cadeado… bom, até foi engraçado andar a pé em Delft, porque por estes dias andar de bicla já era uma aventura sempre feita a velocidades que não davam para olhares demorados à paisagem… fui à esquadra da polícia para ver se não me podiam cortar o cadeado (sendo que a única prova de que a bicicleta era minha era o pedaço da chave que me ficou na mão), só que os policias disseram que normalmente não faziam nada nesta situação. No entanto já estava a pegar no telefone para ver “o que é que podia fazer”, quando um velho chato e intrometido começou lá a dizer que me ajudava, e a polícia não me ligou mais… o velho indicou-me uma loja de bicicletas em que me ajudariam, por 20 euros… só me apeteceu mandá-lo à ***** porque por 20 euros comprava uma bicla nova!!! Grrrrr!!! D qq maneira no dia seguinte arranjei um alicate e umas serras, e com a ajuda do Evandro lá cortámos aquilo, em pleno dia, com toda a gente a olhar para nós em grandes manobras com uma serra gigantesca, e a partirem-se a rir. Quer dizer, quem cortou o cadeado quase todo foi um junky que nos viu em acrobacias com as serras e, provavelmente com uma grande nostalgia e certa dose de ressaca, pegou no alicate, torceu a corrente toda e foi cortando pedacinhos pequenos, enquanto nos ia confessando que já há muito tempo que não fazia aquelas coisas… e pronto, em 5 minutos tinha a minha bicicleta livre e um junky satisfeito :)


A segunda avaria foi o tradicional pneu furado… depois de algumas peripécias para acertar com o tamanho do pneu, lá mudei aquilo na cave da univ., com a preciosa ajuda do dono da bicicleta :) é que aquilo não é tão fácil como parece! Agora a guerreira tem um pneu mega cromo com super aderência que vale tanto como a própria bicicleta! :)

Os dias que antecederam a entrega do trabalho foram passados a trabalhar bué e a dormir pouco, mas com o stress nem notei a falta de sono. Até foi relativamente pacífico porque consegui acabar tudo a tempo, ver os jogos de Portugal com pessoal todo, não houve grandes problemas de última hora, contei com preciosas dicas de formatação de texto vindas da minha especialista na matéria ;) e no dia da entrega estava quase tudo pronto. A verdade é que quanto mais tempo se tem, mais se demora, e nos últimos dias acaba por se abdicar de muita coisa que tínhamos em mente porque já não há tempo para as fazer… se tivesse mais duas semanas conseguia ocupá-las a completar aquilo com outras coisas, e acabava sempre por ter de passar os últimos dias a trabalhar em stress na mesma, porque nessa altura as coisas essenciais são simplesmente inadiáveis.

O meu orientador, como sempre, estava na boa e não se importou de esperar pelos meus atrofios com as fotocopiadoras\impressoras lá do sítio, que conseguiam fazer tudo menos imprimir aquilo bonitinho como eu queria. Quando lhe entreguei o meu trabalho de +- 100 páginas ele até ficou com os olhos em bico mas depois respirou fundo e disse que ia tentar ler tudo ;) isto foi a uma 2ª, a discussão era na 5ª, por isso o meantime foi gasto a preparar a apresentação e a discussão... quer dizer, andei a engonhar até 4ª, dia em que fiz quase tudo. Já estava a ficar farto de trabalhar e sabia o meu trabalho de trás prá frente, por isso estava confiante.

No entanto 5ª, antes da discussão, às 14h, vieram obviamente os habituais calafrios de quem vai discutir um trabalho que demorou aprox. 5 meses a fazer. Apesar disso, não havia nada com que me preocupar: a discussão foi uma conversa de amigos, com uma caneca de café à frente, extremamente relax, onde me pediram para explicar uns pormenores que não estavam muito claros, falámos um bocado do laboratório em geral, e pronto, acabou. A discussão foi com dois profs, o meu orientador e um dos patrões de lá, e a questão é que o meu orientador tinha lido o trab, acompanhado o processo e até queria fazer algumas perguntas mais complexas, mas o patrão não estava lá muito dentro do assunto, e como era ele que tinha prioridade nas perguntas, acabei por responder só a coisas básicas. Enfim, uma hora que passou muito rápido, sem stress, no fim disseram-me que gostaram muito do projecto, que tinha trabalhado bem e estava tudo muito completo. Depois de 2 minutinhos a conversarem a sós, chamaram-me de novo e disseram-me a nota… 9 em 10, como já sabem! Foi muito bom, mas modéstia à parte já estava +- à espera, depois de ver as notas de trabalhos anteriores de outros alunos. No entanto, como o patrão me disse, “9 é prós alunos e 10 é para mim e para Deus!”.

Ora depois de saber a nota, a apresentação foi na boa, estava calmo e apesar de ter um bocado de informação a mais (o que fez com que tivesse de “correr” um bocado para não me esticar muito no tempo), até correu bem. Não estava muita gente, o que ajudou (só uma dúzia de gatos pingados lá do departamento), e apesar de ser a minha primeira apresentação a sério (o técnico tem umas falhas nesse aspecto, pelo menos no meu curso, porque na Holanda eles têm de fazer apresentações a torto e a direito durante o curso todo), toda a gente disse que perceberam finalmente o que é que eu andei por lá a fazer, e que tinham gostado.

Trabalho acabado, FESTA!

Mal acabou a apresentação foi alto alívio… acabou!!! É uma sensação muito estranha, é agradável mas ao mesmo tempo sente-se um vazio por não haver stress! Parece que é rápida demais a transição entre o stress total e o nada para fazer, e a pessoa nem tem tempo de se adaptar.

Encontrei o Evandro e fomos logo beber uma cervejinha ao centro, talvez a mais cara de sempre, armámo-nos em lords, pedi-mos umas cervejas esquisitas, e pagámos 8.5 euros por duas cervejinhas de garrafa! Ele ia-se embora de férias para o Brasil nesse dia ao fim da tarde, e começou logo a sensação que estava mesmo a acabar esta aventura… Nesse dia houve tempo para relaxar, dormir na relva da biblioteca, ir a um grande churrasco de despedida de uns italianos, e continuar a estranha sensação de “espera aí, posso estar aqui sentado na boa sem ter de me preocupar com nada!?”. O último mês foi mesmo intenso, sempre a trabalhar… Mas ao fim da noite já me tinha passado esta sensação e estava de novo habituado à vida de Erasmus, fui a uma festa de arquitectura, com música de discoteca ao vivo, com uns saxofones, bem janota. Mais umas despedidas, mais umas pessoas que não vou voltar a ver…

Apesar de o trabalho já ter acabado ainda faltavam uns pormenores, tive de organizar o meu gabinete que estava caótico, emendar uns aspectos que eles me aconselharam a mudar, formatar quase tudo de novo, inserir umas coisinhas, para ficar bonitinho para a impressão final, a cores, toda xpto, e meter o material todo que pesquisei (que era bué) num cd para eles ficarem com tudo. Isto sem stress (o que equivale a dizer que foi feito a 10% da velocidade normal) ocupou o fim-de-semana todo, junto com o meu aniversário e a bela prenda que a selecção me deu, ao perder 3-1… grrrrrr! E o jogo da Itália… sofri bué, ter de ouvir os italianos a repetir over and over and over and over os vídeos, os relatos, as fotos… AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!

Finalmente subi à torre da igreja, e valeu a pena, porque o tempo estava bonito e deu para ver as vistas, e ver Delft duma ponta à outra… aí já estava a começar a sentir saudades… A vista panorâmica da cidade, com um mercado lá em baixo, na praça central:

Ainda deu tempo de entrar nas igrejas (oude e nieuwe), os túmulos dos reis e afins lá do sítio,

e ver onde é q o JN morou o ano passado! foi fácil de identificar, tinha um bandeira portuga!!!! pelos vistos ainda moram lá portugueses, ou então foi o JN que quis deixar a sua marca em Delft :)

Tive também finalmente tempo para fazer várias coisas tipicamente holandesas:

1-encontrar um cavalinho simpático e apanhar choques eléctricos na vedação que o protegia:

2-meter a cabeça dentro de uma porca gigantesca:

3-ordenhar uma vaca no "dia do campo":

4-ver barcos a passar nos canais acima do nível da minha cabeça:


Bom, na semana que se seguiu, além de acertar os pormenores finais, visitei mais umas coisas ali perto onde ainda não tinha ido. Fui principalmente dar uso ao meu museum kaart, que me deixou entrar à borla em tudo o que era museu. Deviam fazer um cartão desses em Portugal, por 15 euros pode-se entrar em quase todos os museus, e uma pessoa acaba por visitá-los só porque pode… e se houver alguma coisa interessante para ver lá dentro, melhor ;) Em Leiden, a Coimbra lá do sítio, com uma faculdade de medicina bem grande, vi o Naturalis, museu de história natural, que tinha animalis que nunca mais acabavam, exposições de ciência, enfim, o normal.

Vi o Molenmuseum De Valk, um moinho gigante plantado no meio da cidade, e que foi transformado em museu, tinha uns 15 quartos lá dentro, alguns que conservavam o aspecto antigo, com mobília, onde viviam pessoas antigamente, e outras com peças históricas, mós, pás, etc.

Ainda vi o Rijksmuseum van Oudheden, um museu com antiguidades, egípcias, gregas, romanas, persas, you name it. Confesso que foi uma monumental seca, porque havia poucas explicações em inglês, e o assunto não me interessa particularmente, mas pronto, o museu era um bom museu e há que dar valor :)

As múmias é que estavam bem conservadas, acho que alguém devia dar uns conselhos de cosmética à l’oreal, hã Joana? 3000 anos e ainda com este aspecto jovem, é obra :)

Pelo meio reparei que os dias estavam gigantescos. Na Holanda anoitece bem mais tarde que em Portugal, prái uma hora, o que faz com que às 23h ainda haja luz natural! É um bocado estranho, mas dá a sensação que os dias dão para fazer mais coisas! Nesta foto são exactamente 22:00, como se pode comprovar pelo telemóvel, mas ainda era pleno dia!

Depois comecei a ir ao gabinete para me despedir do pessoal, aqui estou eu com o reza e o giwrgos, indonésio e grego, respectivamente, ambos a fazer o doutouramento lá no departamento, muito porreiros, deram-me umas dicas jeitosas e introduziram-me ao mundo dos doutoures, conferências, boa vida ;)

Despedi-me do meu orientador, do pessoal todo… foi triste, já estava habituado ao meu local de trabalho, cafés à borla ;) mas eles insistiram para eu voltar e continuar os estudos lá… Doutor PP… quiçá!

Ainda fui a Roterdão a um museu de pintura recheado de quadros famosos, o Mauritshuis, com Vermeer, Rembrandt e afins. Fiz o tour com os auscultadores (tudo à borlix!) e então a cada pintura carregava num numerozinho e pronto, 2 minutos de explicação sobre o quadro. Tudo fez sentido nesse momento! Eu nunca liguei muito a pintura, porque não percebia nada daquilo! Com uma explicação foi muito mais interessante! ;) já sabem, quando forem a museus, metam os auscultadores com as explicações, vale a pena!

Dei mais umas voltas por delft e haya, fui ao bar de jazz em Roterdão, estive co grego e a billie holiday em amena cavaqueira,

registei fotograficamente o coração de delft e o sítio onde o vermeer vivia (a pedido do JN),

e pronto…o fim aproximava-se… Na última noite fui beber umas jolas co pessoal, já não sobravam muitos, e não houve lugar para grandes nostalgias…

nesta foto, da esq prá direita, Bart, Bart, Pedro e Pedro :)

Embalei os muitos quilos de bagagem que, não sei como, arranjei entretanto (quando fui para a Holanda tinha só uns 2 kilinhos a mais…), tirei tudo do quarto… estranho ver td vazio de novo…

despedi-me dos meus housemates e lá fui eu, bué carregado, em direcção à estação.

A dor, o sofrimento! :) Depois de muito suor para apanhar o comboio de ligação em Haya (no dia em que eu tinha 30 kilos de bagagem é que lhes deu para se atrasarem e me obrigarem a correr…)

No aeroporto tive de usar todo o meu poder de sedução… As holandesas eram chatas como tudo e obrigaram os senhores à minha frente a pagar 4 kg que tinham a mais! O meu truque era levar uma mochila com 15 kilos às costas, o que não pegou, porque ali cumpria-se a regra dos 20 kilos de bagagem para o porão + 6 de bagagem de mão… obviamente que quando pesaram tudo tinha quase 40 kilos… e pensei, pronto, eu pago, a senhora viu quanto é que ficavam os 10 kg a mais que eu tinha (ou seja, já com um descontozinho) e era nada mais nada menos que… 155 euros!... Hum… desespero… não vou pagar 155 euros… estratégia alternativa! “Ah e tal, tenho documentos importantíssimos nessa mochila que não posso mandar para o porão!” Hum… tas-me a tentar dar a volta!… depois de uma conversinha com as amigas em holandês, disseram-me para tirar as coisas importantes e pôr na bagagem de mão… lá o fiz, remexer as malas, cuecas pelo ar, tirei td o que tinha pesado para a bagagem de mão, mas mesmo assim tinha 28 kg na bagagem de porão… só que depois de eu fazer cara de desesperado lá me deixaram ir embora com a promessa de não se repetir! Hehehe :) mas passei ali um bocado bem stressante…

A viagem correu bem, deu para ver um belo pôr-do-sol, umas paisagens bonitas, uns belos momentos nostálgicos…

A aventura estava a acabar: 5 meses passados, e muitas peripécias vividas; muitos amigos dos 4 cantos do mundo que se deixam para trás e que provavelmente não voltaremos a ver; a experiência de viver sozinho, com pessoas ao início desconhecidas, no meio de uma comunidade de Erasmus na mesma situação; muitas pessoas novas e desconhecidas misturadas num país com uma cultura diferente… Uma experiência inesquecível que aconselho vivamente! Ao voltar para casa é-se uma pessoa bem diferente!


E pronto, assim acabo este meu relato/diário da minha estadia Erasmus na Holanda, na bela Delft…

Tot ziens!

quinta-feira, julho 06, 2006


Ok, valeu a pena! ehehe
Vou festejar!
yyyeeeaaaahhhhhh

segunda-feira, julho 03, 2006



E pronto, está feito, impresso e entregue! é a isto que me tenho dedicado nos ultimos tempos, entre as celebrações das vitórias da nossa selecção. Agora ainda tenho de preparar a apresentação para quinta-feira! está quase! :)